Os ataques ocorreram entre 06 e 09 de julho na comuna de Oicha, província de Kivu do Norte, junto à fronteira com a província vizinha de Ituri e terão envolvido as ADF, um grupo rebelde com ligações ao grupo Estado Islâmico.
O relator adjunto da sociedade civil no território de Beni, que inclui Oicha, Philippe Bonane, disse que "todas as vítimas eram residentes rurais".
"Desde quinta-feira, temos vindo a descobrir cada vez mais cadáveres, alguns dos quais já em decomposição e enterrados no local. Foi o que aconteceu ontem [sábado], por exemplo, quando os corpos foram enterrados no mesmo local em que foram descobertos", disse à agência noticiosa Efe, por telefone.
O ativista acrescentou que no sábado foram contabilizados 54.
Bonane referiu que há ainda 15 feridos a serem tratados no hospital de Oicha, que tem a sua morgue cheia.
O presidente da comuna de Oicha, Jean de Dieu Kibwana, confirmou à Efe os ataques, mas não especificou o número de mortes.
"É verdade que há ataques por parte destes rebeldes, mas pedimos à população que não ceda, que continue a confiar na coligação de exércitos que conseguiu enfraquecer as ADF", disse.
O responsável local apontou que os atacantes retaliaram depois de soldados congoleses e ugandeses terem bombardeado várias posições do grupo.
As ADF são uma milícia de origem ugandesa, mas atualmente têm as suas bases nas províncias congolesas vizinhas de Kivu do Norte e Ituri, onde fazem ataques frequentes e aterrorizam a população.
As autoridades ugandesas também acusam o grupo de organizar ataques no seu território e, em novembro de 2021, os exércitos do Uganda e da RDCongo, país que também faz fronteira com Angola, iniciaram uma operação militar conjunta.
Embora os especialistas do Conselho de Segurança das Nações Unidas não tenham encontrado provas de um apoio direto do Estado Islâmico às ADF, os Estados Unidos da América identificam-na desde março de 2021 como "uma organização terrorista" afiliada ao grupo terrorista.
Desde 1998, o leste da RDCongo sofre um conflito alimentado por mais de 100 grupos rebeldes e pelo exército congolês, apesar da presença da missão de paz da ONU (MONUSCO).
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